quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Serões Literários e a evocação do movimento Dada

No dia 14 de Janeiro decorreu na Casa-Museu João Soares mais uma sessão dos Serões Literários das Cortes. Depois da apreciação de alguns livros editados e apresentados na região e da evocação de alguns acontecimentos culturais, designadamente a exposição patente na Casa-Museu sobre a iconografia da República (Colecção de António Pedro Vicente), foi abordado, como tema da noite, o movimento Dada.
Dada foi um movimento artístico e literário com um pendor niilista, que surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Embora se aponte 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, a verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento, ou, como preferem os seus fundadores, desta «forma de espírito».
De acordo com a versão mais amplamente aceite, o nome "Dada" foi adoptado no cabaré de Hugo Ball, Café Voltaire, em Zurique, em 1916, durante uma das reuniões secretas feitas por um grupo de jovens artistas e membros da Resistência, onde se incluíam Jean Arp, Richard Hülsenbeck, Tristan Tzara, Marcel Janco e Emmy Hennings: quando um estilete de abrir correspondências caiu sobre um dicionário francês-alemão, apontou a palavra “dada”, e ela foi escolhida pelo grupo como apropriada para as suas criações anti-estéticas e actividades de protesto, que foram pensadas como uma reacção aos valores pequeno-burgueses e ao desespero perante a Primeira Guerra Mundial.
Um precursor do Dadaísmo, que acabou por se tornar um dos seus membros principais, foi Marcel Duchamp que, em 1913, criou seu primeiro ready-made (hoje perdido), a “Roda de Bicicleta”, que consistia numa roda montada sobre o assento de um tamborete.
Para expressar a negação de todas as correntes e valores estéticos e sociais, os dadaístas usaram frequentemente métodos artísticos e literários que eram deliberadamente incompreensíveis. As suas performances teatrais e os seus manifestos eram concebidos para chocar ou desnortear o público, com o objectivo de o surpreender, através de uma reconsideração de valores estéticos aceites. Para este fim, os dadaístas utilizaram novos materiais e incluíram objectos achados no lixo das ruas, além de novas técnicas nas suas obras, como se permitissem ao acaso a determinação dos elementos que iriam compor os seus trabalhos. As artes plásticas e visuais e a literatura do século XX devem muito a esta ruptura que constituiu o movimento Dada, ainda hoje se utilizando “recursos” que então foram “disponibilizados”.


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