sábado, 10 de dezembro de 2011

Poesia em música - O balanço

Serões Literários sob os acordes da música e da poesia

A sessão dos Serões Literários das Cortes do dia 12 de Novembro foi particularmente interessante porque juntou o seu cunho literário com a vertente musical, proporcionando aos presentes – e muitos foram – duas excelentes horas de verdadeiro espectáculo, a que ainda se juntou um momento teatral notável.
Paulo Costa, que editou recentemente o livro de poesia “Sopro da voz” e que já fez duas apresentações dele, juntou à sua volta alguns amigos que musicaram alguns dos seus temas, interpretados por ocasião da primeira apresentação. Idêntico trabalho fora já feito para outros poemas de Carlos Lopes Pires. Agora foi juntar tudo e “encorpar” com acompanhamento. Como escrevemos na última edição, e eram palavras de Paulo Costa no anúncio da iniciativa, «entrecruzando olhares e sentidos cúmplices rumo à proximidade da estética literária e musical, surgiu a ideia de reunir um grupo de Amigos que possuem algo em comum: o gosto pela Música e pela Poesia! Reunindo algumas modulações poéticas sob a forma escrita e falada, emergiu a indispensabilidade da sua tradução em ritmos melódicos – oscilantes emoções, sob um formato de canções».
Depois foi aliar esses interesses e elevar a sua criatividade e “engenho” ao que pudesse propagar-se nas suas memórias e olhares, numa oferta desinteressada a todos quantos comungam da linguagem estética. E pudemos “ouver” a Inês Vieira (teclas), o Marco Tenório (viola), o Paulo Costa (viola e voz), o Nuno Brito (percussão, acordeão, viola e voz), o Edgar Cid (viola e xilofone) e o Marco Santos (flauta) a cantarem poemas do Paulo Costa e do Carlos Pires de uma forma quente e apaixonada que encheu a alma de todos quantos estiveram no auditório da Casa-Museu João Soares naquela noite.
A culminar este serão tão especial, surgiu lá dos bastidores a Sandra José, do Te-Ato, a interpretar um quadro teatral intitulado “Palavras para quê?”, vivamente aplaudido.
O trabalho do grupo e a disponibilidade da sala e anexos, por parte da Casa-Museu, foram recompensados pela assistência numerosa e pelo calor dos aplausos, pensando-se já em fazer no próximo ano um serão semelhante, igualmente com poesia e música, mas agora dedicado ao fado, com poemas de poetas das Cortes e de Leiria (J. Marques da Cruz, D. José Pais, Afonso de Sousa, etc.), em especial os que correram por Coimbra na primeira metade do século XX e gravados em disco.


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