terça-feira, 1 de novembro de 2011

Historial dos Serões Literários das Cortes

 “Os Serões Literários das Cortes surgiram na sequência de tertúlias avulsas por ocasião de lançamentos de livros da Editorial Diferença, de Leiria, normalmente realizados no restaurante Moinho do Rouco (Cortes). O público presente foi sugerindo que esse tipo de encontros acontecesse mesmo fora dos lançamentos. Carlos Lopes Pires, Carlos Fernandes e Luís Vieira da Mota pegaram na ideia e acabaram por definir uma periodicidade mensal, ao segundo sábado, realizando a primeira tertúlia em Maio de 1999 e nunca mais parando. Em Maio de 2011 os Serões Literários das Cortes fazem, pois, 12 anos. É um movimento livre, sem intenção de associação nem carácter jurídico. Não há dirigentes nem associados. Apenas interessados.

Para além dos encontros normais realizados sempre nas Cortes, aconteceram alguns serões especiais noutras localidades, nomeadamente Castanheira de Pêra, Batalha, S. Pedro de Muel e Leiria, e mesmo alguns encontros extra nas Cortes (Casa-Museu João Soares), em datas especiais. Durante cerca de uma dezena de anos, os Serões realizaram-se nos diversos restaurantes das Cortes, passando depois para as salas do Centro Popular de Cultura e Recreio das Cortes e, ultimamente, da Casa-Museu João Soares. Esporadicamente realizaram-se em casas particulares.

O objectivo destes Serões é sobretudo falar de literatura e das questões que ela suscita, embora já se tenham abordado diversas manifestações no âmbito de outras artes (pintura, música, religião, linguística…). De um modo geral, política e desporto estão arredados dos seus propósitos.

O tipo de assuntos tratado não requer formação nem conhecimentos específicos, mas exige alguma maturidade e agilidade mental, pelo que os participantes são geralmente pessoas intelectualmente adultas. No entanto, quem não é habitualmente sensível a estas questões ou tem centros de interesse bem diversos não se sentirá confortável. O acesso é franco, sem restrições de qualquer espécie ou género. Espera-se apenas dos participantes compostura e capacidade de intervenção.

A variedade de temas abordados nos 12 anos de vida da tertúlia, correspondentes a 144 sessões normais e acrescidas de algumas especiais, é tão vasta que não é fácil enunciá-la. A poesia de diversos escritores ou dos próprios participantes tem sido o elo nuclear e congregador, mas as muitas questões ligadas à literatura, dos géneros aos estilos, da função das letras ao comércio livreiro ou da estética aos aspectos sociais também foram assuntos que percorreram numerosos serões.

Esta variedade temática não se compadece com regionalismos, pelo que as abordagens não se regem pela residência ou nacionalidade dos autores, mas pelo interesse que as suas obras suscitem. Isso não impede que não se dê o devido destaque aos autores da região ou das relações de quem frequenta. Do mesmo modo, é comum falar das actividades culturais desenvolvidas na região ou fora dela, convidando os presentes a divulgá-las e/ou a participar nelas.

Não é propósito destas tertúlias alterar qualquer paradigma. O facto de a imprensa generalista dar hoje mais relevo a questões diversas da literatura não significa que esta não tenha o seu veículo próprio através de jornais ou revistas especializadas. Contudo, a frequência destes serões tem vindo a suscitar interesses acrescidos nesta área, pelo que muitos frequentadores acabam eles próprios por utilizar a comunicação social para a publicação de trabalhos seus, designadamente poesia. Por outro lado, dos Serões Literários das Cortes surgiu já uma colectânea de textos que deu origem a um livro: “Juntos por Loro Sae” (2000). Mas, de um modo geral, o capítulo editorial não está no âmbito dos Serões. A edição de autores ligados à região ou outros não é, pois, da sua competência.

A divulgação desta actividade cultural tem vindo a crescer, mas passa habitualmente ao lado das agendas culturais dos semanários da cidade. O único veículo que lhe tem dado cobertura sistemática desde o início é o “Jornal das Cortes”. Actualmente, é também divulgada nas agendas da Câmara Municipal e da Casa-Museu João Soares, onde os Serões se vêm realizando ultimamente.

Entre os objectivos para o futuro está o aumento do número de participantes e o planeamento dos temas a abordar nas sessões seguintes, abandonando o seu carácter aleatório ou ocasional que durante vários anos foi a tónica. Qualquer pessoa pode propor-se a abordar ou desenvolver um tema.”

Carlos Fernandes

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