“Os Serões Literários das
Cortes surgiram na sequência de tertúlias avulsas por ocasião de lançamentos de
livros da Editorial Diferença, de Leiria, normalmente realizados no restaurante
Moinho do Rouco (Cortes). O público presente foi sugerindo que esse tipo de
encontros acontecesse mesmo fora dos lançamentos. Carlos Lopes Pires, Carlos
Fernandes e Luís Vieira da Mota pegaram na ideia e acabaram por definir uma
periodicidade mensal, ao segundo sábado, realizando a primeira tertúlia em Maio
de 1999 e nunca mais parando. Em Maio de 2011 os Serões Literários das Cortes
fazem, pois, 12 anos. É um movimento livre, sem intenção de associação nem
carácter jurídico. Não há dirigentes nem associados. Apenas interessados.
Para além dos encontros
normais realizados sempre nas Cortes, aconteceram alguns serões especiais
noutras localidades, nomeadamente Castanheira de Pêra, Batalha, S. Pedro de
Muel e Leiria, e mesmo alguns encontros extra nas Cortes (Casa-Museu João
Soares), em datas especiais. Durante cerca de uma dezena de anos, os Serões
realizaram-se nos diversos restaurantes das Cortes, passando depois para as
salas do Centro Popular de Cultura e Recreio das Cortes e, ultimamente, da
Casa-Museu João Soares. Esporadicamente realizaram-se em casas particulares.
O objectivo destes Serões é
sobretudo falar de literatura e das questões que ela suscita, embora já se
tenham abordado diversas manifestações no âmbito de outras artes (pintura,
música, religião, linguística…). De um modo geral, política e desporto estão
arredados dos seus propósitos.
O tipo de assuntos tratado
não requer formação nem conhecimentos específicos, mas exige alguma maturidade
e agilidade mental, pelo que os participantes são geralmente pessoas
intelectualmente adultas. No entanto, quem não é habitualmente sensível a estas
questões ou tem centros de interesse bem diversos não se sentirá confortável. O
acesso é franco, sem restrições de qualquer espécie ou género. Espera-se apenas
dos participantes compostura e capacidade de intervenção.
A variedade de temas
abordados nos 12 anos de vida da tertúlia, correspondentes a 144 sessões
normais e acrescidas de algumas especiais, é tão vasta que não é fácil
enunciá-la. A poesia de diversos escritores ou dos próprios participantes tem
sido o elo nuclear e congregador, mas as muitas questões ligadas à literatura,
dos géneros aos estilos, da função das letras ao comércio livreiro ou da
estética aos aspectos sociais também foram assuntos que percorreram numerosos
serões.
Esta variedade temática não
se compadece com regionalismos, pelo que as abordagens não se regem pela
residência ou nacionalidade dos autores, mas pelo interesse que as suas obras
suscitem. Isso não impede que não se dê o devido destaque aos autores da região
ou das relações de quem frequenta. Do mesmo modo, é comum falar das actividades
culturais desenvolvidas na região ou fora dela, convidando os presentes a
divulgá-las e/ou a participar nelas.
Não é propósito destas
tertúlias alterar qualquer paradigma. O facto de a imprensa generalista dar
hoje mais relevo a questões diversas da literatura não significa que esta não
tenha o seu veículo próprio através de jornais ou revistas especializadas.
Contudo, a frequência destes serões tem vindo a suscitar interesses acrescidos
nesta área, pelo que muitos frequentadores acabam eles próprios por utilizar a
comunicação social para a publicação de trabalhos seus, designadamente poesia.
Por outro lado, dos Serões Literários das Cortes surgiu já uma colectânea de
textos que deu origem a um livro: “Juntos por Loro Sae” (2000). Mas, de um modo
geral, o capítulo editorial não está no âmbito dos Serões. A edição de autores
ligados à região ou outros não é, pois, da sua competência.
A divulgação desta actividade
cultural tem vindo a crescer, mas passa habitualmente ao lado das agendas
culturais dos semanários da cidade. O único veículo que lhe tem dado cobertura
sistemática desde o início é o “Jornal das Cortes”. Actualmente, é também
divulgada nas agendas da Câmara Municipal e da Casa-Museu João Soares, onde os
Serões se vêm realizando ultimamente.
Entre os objectivos para o
futuro está o aumento do número de participantes e o planeamento dos temas a
abordar nas sessões seguintes, abandonando o seu carácter aleatório ou ocasional
que durante vários anos foi a tónica. Qualquer pessoa pode propor-se a abordar
ou desenvolver um tema.”
Carlos Fernandes
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