quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Poesia irreverente no Serão Literário de 11 de Fevereiro

Vem aí mais um serão interessante. Vai ser no dia 11 de Fevereiro, como habitualmente às 21h30, na Casa-Museu João Soares (Cortes, Leiria). O tema  será “A poesia irreverente em tempo de Carnaval”. E a proposta é que os participantes apareçam devidamente ataviados, com vestimenta preta e um pormenor destoante, e munidos de poesia mesmo irreverente (que não ordinária ou obscena). 
No dia 11, pelas 19h30, quem quiser partilhar o repasto, deverá juntar-se ao grupo na Quinta da Cerca. Importante: quem for jantar com o grupo já deve ir devidamente ataviado! Até lá.

Serões Literários e a evocação do movimento Dada

No dia 14 de Janeiro decorreu na Casa-Museu João Soares mais uma sessão dos Serões Literários das Cortes. Depois da apreciação de alguns livros editados e apresentados na região e da evocação de alguns acontecimentos culturais, designadamente a exposição patente na Casa-Museu sobre a iconografia da República (Colecção de António Pedro Vicente), foi abordado, como tema da noite, o movimento Dada.
Dada foi um movimento artístico e literário com um pendor niilista, que surgiu por volta de 1916, em Zurique, acabando por se espalhar por vários países europeus e também pelos Estados Unidos da América. Embora se aponte 1916 como o ano em que o romeno Tristan Tzara, o alsaciano Hans Arp e os alemães Hugo Ball e Richard Huelsenbeck seguiram novas orientações artísticas e 1924 como o final desse caminho, a verdade é que há uma discrepância de datas respeitantes, quer ao início, quer ao final deste movimento, ou, como preferem os seus fundadores, desta «forma de espírito».
De acordo com a versão mais amplamente aceite, o nome "Dada" foi adoptado no cabaré de Hugo Ball, Café Voltaire, em Zurique, em 1916, durante uma das reuniões secretas feitas por um grupo de jovens artistas e membros da Resistência, onde se incluíam Jean Arp, Richard Hülsenbeck, Tristan Tzara, Marcel Janco e Emmy Hennings: quando um estilete de abrir correspondências caiu sobre um dicionário francês-alemão, apontou a palavra “dada”, e ela foi escolhida pelo grupo como apropriada para as suas criações anti-estéticas e actividades de protesto, que foram pensadas como uma reacção aos valores pequeno-burgueses e ao desespero perante a Primeira Guerra Mundial.
Um precursor do Dadaísmo, que acabou por se tornar um dos seus membros principais, foi Marcel Duchamp que, em 1913, criou seu primeiro ready-made (hoje perdido), a “Roda de Bicicleta”, que consistia numa roda montada sobre o assento de um tamborete.
Para expressar a negação de todas as correntes e valores estéticos e sociais, os dadaístas usaram frequentemente métodos artísticos e literários que eram deliberadamente incompreensíveis. As suas performances teatrais e os seus manifestos eram concebidos para chocar ou desnortear o público, com o objectivo de o surpreender, através de uma reconsideração de valores estéticos aceites. Para este fim, os dadaístas utilizaram novos materiais e incluíram objectos achados no lixo das ruas, além de novas técnicas nas suas obras, como se permitissem ao acaso a determinação dos elementos que iriam compor os seus trabalhos. As artes plásticas e visuais e a literatura do século XX devem muito a esta ruptura que constituiu o movimento Dada, ainda hoje se utilizando “recursos” que então foram “disponibilizados”.


sábado, 10 de dezembro de 2011

Serões - Dezembro 2011 - Igreja de São Francisco Leiria


no próximo dia 10 de dezembro, os serões deslocam-se do seu habitual refúgio para ocorrerem num símbolo arquitectónico por excelência em Leiria - A igreja de são Francisco, fronteira com o edifício da antiga moagem de Leiria. eis o convite.


Poesia em música - O balanço

Serões Literários sob os acordes da música e da poesia

A sessão dos Serões Literários das Cortes do dia 12 de Novembro foi particularmente interessante porque juntou o seu cunho literário com a vertente musical, proporcionando aos presentes – e muitos foram – duas excelentes horas de verdadeiro espectáculo, a que ainda se juntou um momento teatral notável.
Paulo Costa, que editou recentemente o livro de poesia “Sopro da voz” e que já fez duas apresentações dele, juntou à sua volta alguns amigos que musicaram alguns dos seus temas, interpretados por ocasião da primeira apresentação. Idêntico trabalho fora já feito para outros poemas de Carlos Lopes Pires. Agora foi juntar tudo e “encorpar” com acompanhamento. Como escrevemos na última edição, e eram palavras de Paulo Costa no anúncio da iniciativa, «entrecruzando olhares e sentidos cúmplices rumo à proximidade da estética literária e musical, surgiu a ideia de reunir um grupo de Amigos que possuem algo em comum: o gosto pela Música e pela Poesia! Reunindo algumas modulações poéticas sob a forma escrita e falada, emergiu a indispensabilidade da sua tradução em ritmos melódicos – oscilantes emoções, sob um formato de canções».
Depois foi aliar esses interesses e elevar a sua criatividade e “engenho” ao que pudesse propagar-se nas suas memórias e olhares, numa oferta desinteressada a todos quantos comungam da linguagem estética. E pudemos “ouver” a Inês Vieira (teclas), o Marco Tenório (viola), o Paulo Costa (viola e voz), o Nuno Brito (percussão, acordeão, viola e voz), o Edgar Cid (viola e xilofone) e o Marco Santos (flauta) a cantarem poemas do Paulo Costa e do Carlos Pires de uma forma quente e apaixonada que encheu a alma de todos quantos estiveram no auditório da Casa-Museu João Soares naquela noite.
A culminar este serão tão especial, surgiu lá dos bastidores a Sandra José, do Te-Ato, a interpretar um quadro teatral intitulado “Palavras para quê?”, vivamente aplaudido.
O trabalho do grupo e a disponibilidade da sala e anexos, por parte da Casa-Museu, foram recompensados pela assistência numerosa e pelo calor dos aplausos, pensando-se já em fazer no próximo ano um serão semelhante, igualmente com poesia e música, mas agora dedicado ao fado, com poemas de poetas das Cortes e de Leiria (J. Marques da Cruz, D. José Pais, Afonso de Sousa, etc.), em especial os que correram por Coimbra na primeira metade do século XX e gravados em disco.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A Música e a Poesia

ora viva! literárias saudações! no seguimento da última mensagem colocada neste blogue, transcrevemos o texto de apresentação, do próximo "serões literários nas cortes", da autoria de Paulo José Costa, que será a nossa fonte de inspiração num serão um pouco diferente, em que dois mundos - o da música e o da poesia - se embrenham provocando uma sensação de calma e harmonia em comunhão com todos aqueles que fazem da cultura uma parte de si.
abraço

" Entrecruzando olhares e sentidos cúmplices rumo à proximidade da estética literária e musical, configura-se a ideia de reunir um grupo de Amigos que possuem algo em comum: o gosto pela Música e pela Poesia! Reunindo algumas modulações poéticas sob a forma escrita e falada, surgiu a indispensabilidade da tradução dos seus ritmos melódicos - oscilantes emoções, sob um formato de canções.

Aliando esses interesses e elevando a sua criatividade e "engenho" a algo que possa ser propagado nas suas memórias e olhares, numa oferta a todos quantos comunguem da sua linguagem estética, procuraremos expor o resultado deste processo criativo nos Serões Literários, no dia 12/11, na Casa Museu João Soares (Cortes/ Leiria).

Serão apresentadas algumas composições musicais, cujos autores integram o grupo dos Serões Literários, cantadas e tocadas de uma forma despretensiosa e acústica, pois como afirma T.S. Eliot “…há poemas onde somos levados pela música e não damos valor ao sentido, tal como há poemas onde atendemos ao sentido e somos levados pela música sem dar por isso.

Do Grupo de Músicos-Poetas farão parte 6 elementos que irão comprovar uma lei incontestável: Que alguma da Poesia não existiria se não pudesse ser cantada e tocada!

O Grupo é composto pelos seguintes elementos: Paulo José Costa (Voz e Viola), Nuno Brito (Voz, Viola, Acordeão, Precursão), Marco Tenório (Viola), Edgar Cid (Viola, Xilofone), Maria Inês Vieira (Piano e Precursão) e Marco Rios Santos (Flauta Transversal).
 
Ocorrerá ainda uma intervenção teatral cujo Texto e Interpretação será a cargo de Sandra José (Te-Ato), intitulada “Palavras para Quê?”

Por isso, nesse dia de encontro e partilha procuraremos deixar-nos levar pela força das palavras e pelas notas melódicas da Poesia!"


sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Poesia em Música

Quando a música se embrenha na poesia que lhe dá a voz, tudo se torna mais sereno e tranquilo...próximo sábado dia 12 de Novembro à noitinha, na casa museu João Soares, numa tentativa de enlace perfeito......apareçam....

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Historial dos Serões Literários das Cortes

 “Os Serões Literários das Cortes surgiram na sequência de tertúlias avulsas por ocasião de lançamentos de livros da Editorial Diferença, de Leiria, normalmente realizados no restaurante Moinho do Rouco (Cortes). O público presente foi sugerindo que esse tipo de encontros acontecesse mesmo fora dos lançamentos. Carlos Lopes Pires, Carlos Fernandes e Luís Vieira da Mota pegaram na ideia e acabaram por definir uma periodicidade mensal, ao segundo sábado, realizando a primeira tertúlia em Maio de 1999 e nunca mais parando. Em Maio de 2011 os Serões Literários das Cortes fazem, pois, 12 anos. É um movimento livre, sem intenção de associação nem carácter jurídico. Não há dirigentes nem associados. Apenas interessados.

Para além dos encontros normais realizados sempre nas Cortes, aconteceram alguns serões especiais noutras localidades, nomeadamente Castanheira de Pêra, Batalha, S. Pedro de Muel e Leiria, e mesmo alguns encontros extra nas Cortes (Casa-Museu João Soares), em datas especiais. Durante cerca de uma dezena de anos, os Serões realizaram-se nos diversos restaurantes das Cortes, passando depois para as salas do Centro Popular de Cultura e Recreio das Cortes e, ultimamente, da Casa-Museu João Soares. Esporadicamente realizaram-se em casas particulares.

O objectivo destes Serões é sobretudo falar de literatura e das questões que ela suscita, embora já se tenham abordado diversas manifestações no âmbito de outras artes (pintura, música, religião, linguística…). De um modo geral, política e desporto estão arredados dos seus propósitos.

O tipo de assuntos tratado não requer formação nem conhecimentos específicos, mas exige alguma maturidade e agilidade mental, pelo que os participantes são geralmente pessoas intelectualmente adultas. No entanto, quem não é habitualmente sensível a estas questões ou tem centros de interesse bem diversos não se sentirá confortável. O acesso é franco, sem restrições de qualquer espécie ou género. Espera-se apenas dos participantes compostura e capacidade de intervenção.

A variedade de temas abordados nos 12 anos de vida da tertúlia, correspondentes a 144 sessões normais e acrescidas de algumas especiais, é tão vasta que não é fácil enunciá-la. A poesia de diversos escritores ou dos próprios participantes tem sido o elo nuclear e congregador, mas as muitas questões ligadas à literatura, dos géneros aos estilos, da função das letras ao comércio livreiro ou da estética aos aspectos sociais também foram assuntos que percorreram numerosos serões.

Esta variedade temática não se compadece com regionalismos, pelo que as abordagens não se regem pela residência ou nacionalidade dos autores, mas pelo interesse que as suas obras suscitem. Isso não impede que não se dê o devido destaque aos autores da região ou das relações de quem frequenta. Do mesmo modo, é comum falar das actividades culturais desenvolvidas na região ou fora dela, convidando os presentes a divulgá-las e/ou a participar nelas.

Não é propósito destas tertúlias alterar qualquer paradigma. O facto de a imprensa generalista dar hoje mais relevo a questões diversas da literatura não significa que esta não tenha o seu veículo próprio através de jornais ou revistas especializadas. Contudo, a frequência destes serões tem vindo a suscitar interesses acrescidos nesta área, pelo que muitos frequentadores acabam eles próprios por utilizar a comunicação social para a publicação de trabalhos seus, designadamente poesia. Por outro lado, dos Serões Literários das Cortes surgiu já uma colectânea de textos que deu origem a um livro: “Juntos por Loro Sae” (2000). Mas, de um modo geral, o capítulo editorial não está no âmbito dos Serões. A edição de autores ligados à região ou outros não é, pois, da sua competência.

A divulgação desta actividade cultural tem vindo a crescer, mas passa habitualmente ao lado das agendas culturais dos semanários da cidade. O único veículo que lhe tem dado cobertura sistemática desde o início é o “Jornal das Cortes”. Actualmente, é também divulgada nas agendas da Câmara Municipal e da Casa-Museu João Soares, onde os Serões se vêm realizando ultimamente.

Entre os objectivos para o futuro está o aumento do número de participantes e o planeamento dos temas a abordar nas sessões seguintes, abandonando o seu carácter aleatório ou ocasional que durante vários anos foi a tónica. Qualquer pessoa pode propor-se a abordar ou desenvolver um tema.”

Carlos Fernandes